quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Chuva porteña...

Andávamos pelas ruas de Buenos Aires quando começou a chover. Você me olhou curioso.
Eu disse:
- Tenho um guarda-chuva aqui na bolsa, mas gosto de andar na chuva.
Você sorriu o sorriso mais largo e branco e doce do mundo:
- Eu também! Adoro a chuva!

A chuva de lá é diferente da brasileira, não sei explicar como, mas os pingos parecem mais espaçados entre si, não molha tanto, e é tão refrescante quanto a brisa do mar na praia...

Justo nesse dia a chuva foi um pouco mais forte, e começou a nos deixar encharcados. Me rendi e peguei o guarda-chuva. Você se mostrou decepcionado, mas logo mudou de idéia quando lhe puxei para muito mais perto de mim e também lhe protegi da chuva...

Então você me contou sua teoria, que até agora me faz sorrir com doçura:
- Não preciso de guarda-chuva. Se estou saindo da aula e começa a chover, não tem problema, porque sei que logo chegarei em casa e trocarei de roupa. Agora, se a chuva começa antes de eu sair de casa, simplesmente não vou para a aula, porque não quero molhar meus livros e passar o dia todo com a roupa molhada!

Há sabedoria nela, e há muito de você também!

Quando chegamos ao obelisco, precisamos nos despedir, você ia embora... Queria te abraçar, mas o guarda-chuva atrapalhava... Então o fechei e coloquei numa sacola, a qual foi devidamente escondida na bolsa...
Você me olhava, se divertindo com minhas trapalhadas.
Te abracei decidida! Você me acolheu carinhosamente e sussurrou em meu ouvido:
- Vos sos divina...
Eu nunca soube responder verbalmente aos seus elogios sempre tão delicados (especialmente porque eram em espanhol), portanto espero que você tenha entendido meu olhar de pessoa completamente encantada!

- Não quero ir viajar hoje - você disse.
- Então não vá, fique mais essa noite...

Em meio à multidão de rostos sérios que precisava desviar de nós na calçada da 9 de Julio, você me beijou da maneira mais doce e linda que já conheci.... Assim, como essas cenas de cinema bem clichês... Na chuva, a suave chuva porteña...
E você ficou mais uma única noite...